Defendida pela Amsop para combater a crise no setor, suspensão da importação de leite será adotada pelo governo
Publicado em 11/10/2017

Da assessoria

O Ministério da Agricultura anunciou no fim da tarde de ontem que pretende suspender a importação de leite do Uruguai. A decisão foi comunicada pelo ministro da pasta, Blairo Maggi, após reunião na Câmara dos Deputados com integrantes da Frente Parlamentar do Agronegócio e ainda deve ser oficialmente comunicada ao país vizinho, mas medidas administrativas devem ser adotadas imediatamente, segundo divulgado pela Empresa Brasileira de Comunicação.

A medida foi defendida pela Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná) ainda em agosto, durante um seminário de agricultura familiar realizado na sede da entidade. Na ocasião o presidente Frank Schiavini entregou pessoalmente um documento ao secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN), Caio Rocha, e ao secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB), Norberto Ortigara. A carta pedia intervenção do governo para combater a importação de leite e fortalecer o mercado interno, já que segundo a Amsop, o baixo preço pago aos produtores estava criando uma crise no setor e inviabilizando a produção em muitas propriedades.

“Somos hoje uma das regiões que mais produz leite no Brasil e esta é uma atividade economicamente importante para muitas famílias. O risco é de que o baixo preço acabe dificultando a produção em pequenas e médias propriedades, por isso compartilhamos da necessidade de que o Estado intervisse fortalecendo a cadeia nacional e limitando as importações para evitar maiores prejuízos futuros”, explica o presidente da Amsop, Frank Schiavini.

Os impactos da alta na importação de leite também foram tratados pela Comissão de Agricultura da Amsop, presidida pelo prefeito de Pérola d’Oeste, Nilson Engels, e pela associação que congrega os secretários municipais da área. Juntos os 42 municípios do Sudoeste produzem mais de 1,2 bilhão de litros de leite todos os anos. Boa parte dessa produção vem de pequenas propriedades, gerando renda e movimentando a economia dos municípios.

Alta nas importações

Somente neste ano o Brasil foi destino de 86% do leite uruguaio em pó desnatado e 72% do integral, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras. Setores alegam que o Uruguai estaria exportando leite que não é produzido lá, pois a produção do país seria insuficiente para exportar a quantidade que tem chegado ao Brasil. Isso está forçando o preço pago aos produtores brasileiros para baixo, mas mantendo os custos de produção.

Segundo o ministro Blairo Maggi, a suspensão valerá até que seja concluída a rastreabilidade do produto e só será revertida se conseguirem comprovar que 100% do volume exportado ao país são produzidos no Uruguai. O governo cogita também a aquisição de leite para programas sociais e a alocação de recursos para que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) compre leite em pó para estocar e vender no futuro, quando os preços estiverem melhores – a questão está em discussão na Casa Civil e no Ministério do Desenvolvimento Agrário.



Postado por: Celso Carnelutt
Fotos: Amsop