Pesquisa de preço da Cesta Básica é realizada em 3 municípios do Sudoeste
Publicado em 13/04/2018

 

Em março, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco, apresentaram redução no montante monetário gasto para adquirir a cesta básica de alimentação, conforme constatado pela pesquisa mensal da cesta básica. A referida pesquisa é realizada mensalmente sob a coordenação do grupo de pesquisa Economia, Agricultura e Desenvolvimento (GPEAD), afeto ao curso de Ciências Econômicas da Unioeste, campus de Francisco Beltrão, com o apoio/participação de colaboradores de Dois Vizinhos e Pato Branco.

Em Dois Vizinhos a queda percentual foi de (-0,57%), R$ 1,84 a menos que montante monetário gasto em fevereiro. O quantum monetário para a aquisição da cesta básica de alimentação em março foi de R$ 321,81.

Em Francisco Beltrão o decréscimo percentual foi de (-4,29%), o que significou, para o consumidor, R$ 13,64 a menos que o montante gasto em fevereiro com o mesmo fim. O valor gasto com a compra da cesta básica de alimentação em março foi de R$ 304,49.

Em Pato Branco, a retração percentual foi de (-0,57%). O montante gasto para a aquisição da cesta em março foi de R$ 305,17, por conseguinte R$ 1,76 a menos que no mês de fevereiro.

No âmbito da pesquisa nacional realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), 12 das 20 capitais pesquisadas apresentaram redução no quantum monetário gasto com a cesta básica de alimentação.

Na tabela 01 seguem expressos, para os 03 municípios do sudoeste do Paraná, o valor monetário integral da cesta básica individual de alimentação de valor médio, o valor gasto com cada produto que a compõe, a variação percentual com relação ao mês anterior e o peso percentual que o gasto com cada item representa no valor total da cesta.

Tabela 01- Custo da Cesta Básica e dos itens que a compõe, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco – Março/2018

Produtos

 

Dois Vizinhos Francisco Beltrão Pato Branco
02/2018 03/2018 Fev/Mar 03/2018 02/2018 03/2018 Fev/Mar 03/2018 02/2018 03/2018 Fev/Mar 03/2018
Preço R$ Preço

R$

Variação % Peso % no Valor Total Preço R$ Preço R$ Variação % Peso % no Valor Total Preço R$ Preço R$ Variação % Peso % no Valor Total
Alimentação 323,65 321,81 -0,57 100,00 318,13 304,49 -4,29 100,00 306,93 305,17 -0,57 100,00
Arroz 7,15 7,47 4,48 2,32 6,98 7,01 0,49 2,30 7,49 7,09 -5,34 2,32
Feijão 17,76 17,81 0,24 5,53 16,15 16,24 0,57 5,33 16,05 15,34 -4,45 5,03
Açúcar 5,30 5,16 -2,71 1,60 5,61 5,00 -10,95 1,64 4,83 4,53 -6,22 1,48
Café 13,85 13,34 -3,69 4,14 12,14 11,78 -2,93 3,87 11,73 11,69 -0,38 3,83
Trigo 2,81 2,83 0,87 0,88 2,74 2,78 1,51 0,91 2,55 2,53 -0,80 0,83
Batata 13,39 11,88 -11,26 3,69 14,78 11,68 -20,96 3,84 9,97 11,36 13,92 3,72
Banana 14,90 18,81 26,22 5,85 12,67 15,27 20,54 5,02 14,18 16,50 16,34 5,41
Tomate 33,99 28,53 -16,05 8,87 27,42 29,14 6,28 9,57 29,50 29,45 -0,15 9,65
Margarina 6,59 6,56 -0,47 2,04 5,97 4,98 -16,55 1,64 7,50 7,46 -0,45 2,45
Pão 42,88 42,13 -1,75 13,09 41,90 33,96 -18,94 11,15 32,60 32,56 -0,14 10,67
Óleo Soja 3,38 3,46 2,35 1,08 3,22 3,08 -4,25 1,01 2,99 2,89 -3,28 0,95
Leite 18,92 19,46 2,87 6,05 18,45 19,68 6,65 6,46 17,21 17,65 2,59 5,78
Carne 142,73 144,38 1,15 44,86 150,11 143,87 -4,16 47,25 150,33 146,12 -2,80 47,88

Fonte: Base de Dados Equipe Pesquisadora (Grupo de Pesquisa Economia, Agricultura e Desenvolvimento – GPEAD/UNIOESTE e Colaboradores).

CUSTO DA ALIMENTAÇÃO FAMILIAR E HORAS NECESSÁRIAS PARA AQUISIÇÃO

O cálculo do gasto familiar com a alimentação básica para uma família de tamanho médio (02 adultos e duas crianças – considerando que 02 crianças correspondem a 01 adulto) exige a multiplicação do valor monetário da cesta básica individual por 03. A tabela 02 expressa, para os 03 municípios que integram a presente pesquisa, o valor da cesta básica de alimentação familiar, bem como as diferenças de tal valor com relação ao salário mínimo bruto (R$ 954,00) e líquido (R$ 877,68).

Os valores constantes da tabela evidenciam, para os três municípios, que no mês de março, apesar da queda percentual verificada no montante gasto com a cesta básica de alimentação, o salário mínimo nacional líquido, não assegurou a necessidade alimentar básica familiar.

Tabela 02 – Valor Cesta Básica Familiar, Diferença entre o Valor Cesta Básica com Relação ao Salário Mínimo Bruto e Líquido Nacional – Março/2018.

Localidades

 

Fevereiro/2018 Março/2018
Cesta Básica Familiar (R$) Salário Mínimo Bruto menos Cesta Básica Familiar

(R$)

Salário Mínimo Líquido menos Cesta Básica Familiar

(R$)

Cesta Básica Familiar (R$) Salário Mínimo Bruto menos Cesta Básica Familiar

(R$)

Salário Mínimo Líquido menos Cesta Básica Familiar

(R$)

Dois Vizinhos 970,95 -16,95 -93,27 965,43 -11,43 -87,75
Francisco Beltrão 954,40 -0,40 -76,72 913,46 40,54 -35,78
Pato Branco 920,78 33,22 -43,10 915,52 38,48 -37,84

Fonte: Base de Dados Equipe Pesquisadora (Grupo de Pesquisa Economia, Agricultura e Desenvolvimento – GEPEAD/UNIOESTE e Colaboradores).

O atendimento das necessidades alimentares individuais básicas teria exigido, em março, dos trabalhadores residentes nos 03 municípios do sudoeste do Paraná, remunerados pelo mínimo nacional, o seguinte quantitativo em termos de horas de trabalho: Dois Vizinhos, 74 horas e 12 minutos de trabalho para o atendimento da demanda individual de alimentação e 222 horas e 36 minutos para o atendimento da familiar; em Francisco Beltrão, 70 horas e 13 minutos e 210 horas e 39 minutos, respectivamente; em Pato Branco, 70 horas e 23 minutos e 211 horas e 09 minutos, respectivamente.

Os dados mencionados quanto ao quantitativo de horas para a aquisição da cesta individual, bem como os referentes ao custo da alimentação básica individual e ao percentual que este representou em março, no valor do salário mínimo líquido vigente, para os 03 referidos municípios do sudoeste do Paraná, para São Paulo e as três capitais do sul do país, seguem expressos na tabela 03.

Tabela 03 – Custo da Cesta Básica, Horas de Trabalho, Percentual do Salário Mínimo Líquido, Março/2018.

Localidades

 

Março/2018
Cesta (R$) Cesta Básica como % Salário

Mínimo Líquido

Horas de trabalho
São Paulo 437,84 49,89 100h58min
Curitiba 401,65 45,76 92h37min
Florianópolis 426,79 48,63 98h25min
Porto Alegre 434,70 49,53 100h15min
Dois Vizinhos 321,81 36,67 74h12min
Francisco Beltrão 304,09 34,69 70h13min
Pato Branco 305,17 34,77 70h23min

Fonte: Dieese e Base de Dados Equipe Pesquisadora (Grupo de Pesquisa Economia, Agricultura e Desenvolvimento – GPEAD/UNIOESTE e Colaboradores).

 

PERCENTUAL DO SALÁRIO GASTO COM A ALIMENTAÇÃO E SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO

Em março, a alimentação básica individual, em Dois Vizinhos, demandou (33,73%) do salário mínimo nacional bruto (R$ 954,00) e (36,67%) do salário mínimo nacional líquido (R$ 877,68). Em Francisco Beltrão, exigiu-se (31,92%) e (34,69%), respectivamente. Em Pato Branco, (31,99%) e (34,77%), respectivamente.

Para que efetivamente o trabalhador desses municípios pudessem satisfazer as demandas familiares previstas constitucionalmente, o salário mínimo deveria ter sido, em março, de R$ 2.703,52 em Dois Vizinhos (2,83 vezes o salário mínimo bruto vigente), de R$ 2.557,98 em Francisco Beltrão (2,68 vezes o salário mínimo bruto vigente) e de R$ 2.563,76 em Pato Branco (2,69 vezes o salário mínimo bruto vigente).

 

Análise da variação dos preços em Março

Em março, a pesquisa da cesta básica de alimentação do Dieese apontou queda de preço em 12 das 20 capitais pesquisadas, como informa o seu boletim mensal. As quedas mais substanciais ocorreram em Salvador             (-4,07%), Recife (-3,82%) e Belém (-3,24%). Em contrapartida, Campo Grande e Curitiba apresentaram as maiores elevações (2,60%) e (2,22%), respectivamente.

Repetindo o verificado no mês anterior, em março a capital do Rio seguiu apresentando a cesta básica de alimentação de maior valor monetário médio, (R$ 441,19) seguida por Porto Alegre (R$ 434,70) e Florianópolis (R$ 426,79). As capitais que, segundo o Dieese, apresentaram as cestas de menores valores monetários médios foram Salvador (R$322,88) e Aracaju (R$ 339,77).

No que se refere à pesquisa de mesmo teor realizada mensalmente nos 03 municípios de maior expressão econômica do sudoeste do Paraná, a partir do GPEAD-UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão, se constatou que em março, Dois Vizinhos teve a cesta básica de maior preço médio (R$ 321,81) enquanto que Francisco Beltrão a de menor (R$ 304,49).

Em Dois Vizinhos, dos 13 produtos que compõem a cesta 06 apresentaram queda e 07 alta de preços. As altas de maior significância ocorreram nos preços da banana (26,22%), do arroz (4,48%), do leite (2,87%) e da carne (1,15%). Por sua vez, as reduções de maior significância ocorreram nos preços do tomate (-16,05%), da batata (-11,26%) e do café em pó (-3,69%). O resultado foi a queda percentual de (-0,57%) e, em termos monetários, de R$ 1,84.

Em Francisco Beltrão, 06 produtos apresentaram alta e 07 queda de preços. As altas de maior importância ocorreram nos preços da banana (20,54%), do leite (6,65%) e do tomate (6,28%). As reduções de maior significância ocorreram nos preços da batata (-20,96%) do pão (-18,94%) e da carne (-4,16%). O resultado ao final foi a queda percentual de (-4,29%) e, em termos monetários, (R$ 13,64).

Em Pato Branco, 03 produtos apresentaram alta e 10 queda de preços. As altas ocorreram nos preços da banana (16,34%), da batata (13,92%) e do leite (2,59%). As quedas de maior relevância ocorreram nos preços do açúcar (-6,22%), do arroz (-5,34%), do feijão preto (-4,45%) e da carne (-2,80%). O resultado final foi a queda percentual de (-0,57%) e monetária de (R$ 1,76) em relação ao mês de fevereiro.

No que se refere ao preço da carne, há que se falar que apesar da expressiva queda percentual verificada no preço da mesma em Francisco Beltrão (-4,16%) e em Pato Branco (-2,80%), assim como da alta ocorrida em Dois Vizinhos (1,15%), os preços médios do quilo da carne vermelha de primeira (cortes: alcatra, coxão mole e/ou patinha) praticados em março, nos três municípios se mantiveram relativamente próximos, R$ 21,88 em Dois Vizinhos, R$ 21,80 em Francisco Beltrão e R$ 22,14 em Pato Branco, como pode ser visto também no gráfico 02.

Os produtos que em março, no âmbito da pesquisa do Dieese, apresentaram predominância de queda de preços foram a batata, o açúcar, o feijão, o café e o óleo. Por sua vez, os preços da banana e do leite integral mostraram predominância de elevação de preços na maioria das capitais pesquisadas.

No caso dos municípios do sudoeste do Paraná alvo da pesquisa da Unioeste, seguiu-se a mesma tendência observada pelo Dieese quanto aos referidos produtos. No entanto, há que se observar que, contrariando a tendência, o preço da batata elevou-se em Pato Branco, assim como o do óleo em Dois Vizinhos.

Conforme destacou o Dieese em seu boletim de março, a queda observada no preço da batata se deve ao calor e à chuva, que fizeram com que a boa qualidade do tubérculo diminuísse consideravelmente. No que tange aos municípios do sudoeste pesquisados pela UNIOESTE, Dois Vizinhos e Francisco Beltrão apresentaram expressiva diminuição no valor da batata (-11,26%) e (-20,96) respectivamente, conforme se pode verificar na tabela 01 ou no gráfico 01.

O açúcar também apresentou queda em 18 das 20 capitais pesquisadas pelo Dieese. Nos 03 municípios alvo da pesquisa da Unioeste (Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco) o açúcar também apresentou retração percentual e monetária. Para o Dieese, a demanda relativamente tímida, acompanhada do volume elevado dos estoques nas usinas explicam a queda do preço.

Das 20 capitais pesquisadas pelo DIEESE, 17 apresentaram redução nos preços do feijão carioquinha e do preto, o que se deve, conforme o Dieese, ao volume elevado da oferta dos dois tipos de feijão. Apesar do referido, na pesquisa realizada no Sudoeste do Paraná apenas Pato branco apresentou queda no preço do feijão (-4,45%).

Abaixo, seguem os gráficos 01 e 02 que evidenciam, para os 03 munícipios do sudoeste do Paraná onde se realiza a pesquisa da cesta básica, a variação percentual ocorrida nos preços no mês de março com relação a fevereiro (gráfico 01) e o preço unitário de cada produto em março (gráfico 02), permitindo assim a comparação do preço praticado em cada município.


  Gráfico 01 – Variação % Preços Produtos da Cesta Básica – Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco – Março/2018.
Fonte: Base de Dados Equipe Pesquisadora (GPEAD/UNIOESTE e Colaboradores).

Fonte: Base de Dados Equipe Pesquisadora (GPEAD/UNIOESTE e Colaboradores).

                  Gráfico 02 – Preços Unitários (R$) – Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco Março/2018.

Fonte: Base de Dados Equipe Pesquisadora (GPEAD/UNIOESTE e Colaboradores).

HISTÓRICO DA PESQUISA

O Grupo de Pesquisa Economia, Agricultura e Desenvolvimento, afeto à Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, efetua mensalmente a pesquisa que determina o valor da cesta básica para Francisco Beltrão, Pato Branco e Dois Vizinhos. Compõem a equipe pesquisadora, docentes (Roselaine Navarro Barrinha, Jaime Antonio Stoffel e Edicleia Lopes da Cruz Souza) e discentes (Carin Putrick e Lucas dos Santos Gonçalves) da UNIOESTE, afetos ao curso de ciências econômicas, campus de Francisco Beltrão, além de colaboradores externos, o economista Nelito Antonio Zanmaria, de Pato Branco e o Prof. Sérgio Luiz Kuhn da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus de Dois Vizinhos. A coordenação do projeto é de responsabilidade da Professora Roselaine Navarro Barrinha, integrante do grupo GPEAD-UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão.

 

UNIOESTE-FB – Ciências Econômicas

Grupo de Pesquisa Economia, Agricultura e Desenvolvimento – (GPEAD)

Rua Maringá, 1200 – Vila Nova, Bloco 05, Sala 521.

Telefone Institucional: (46) 3520-4892

Contato: projeto.valorcestabasica@unioeste.br

Boletim de Março: Carin Putrick (discente) e Profa. Roselaine Navarro Barrinha




Postado por: Andrio Antunes
Fotos: Eduarda Biezus